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Transferência de financiamento habitacional

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O processo de transferência de financiamento habitacional é a forma mais simples de vender um imóvel quando ele está financiado e necessita da anuência do Banco

Transferência de financiamento habitacionalNo Brasil o crédito imobiliário é uma relação entre um comprador e o Banco, assim se você quiser trocar de imóvel e ele está financiado junto a um banco, por exemplo, precisa realizar duas operações:

  • Transferir a dívida do financiamento ou vender para um novo adquirente
  • Nova operação de crédito imobiliário para a compra do novo imóvel

Substituição de Garantia (Transferir o financiamento para outro imóvel)

A substituição de garantia do financiamento pode ser aceita se ambos os imóveis estiverem com a mesma titularidade da propriedade, e após a avaliação e autorização do banco financiador.

Assim, na substituição de garantia você efetiva a transferência do financiamento para outro imóvel de sua propriedade, liberando a garantia do imóvel atualmente financiado.

Permuta de imóveis financiados – CAIXA e os bancos aceitam?

O financiamento habitacional no Brasil está vinculado ao imóvel, ou seja, o valor e tipo de imóvel podem determinar as condições de financiamento, inclusive o tipo de modalidade de crédito que vai pode financiar.

Outro fator determinante no financiamento é pessoa.

As condições de renda e idade do comprador influenciam nos cálculos das condições do financiamento.

Assim, os bancos não aceitam permutar imóvel e manter o mesmo financiamento.

Você terá que colocar o seu imóvel à venda, podendo transferir a dívida para o comprador.

E deverá efetivar um novo financiamento para o novo imóvel.

O financiamento será em novas condições de taxa, prazo, etc.

Esclarecemos que na transferência de financiamento para terceiros as condições de financiamento serão atualizadas.

A grande maioria dos bancos tem programas de redução de juros em função de relacionamento, talvez seja por aí a saída para a manutenção ou conseguir redução na taxa de juros do financiamento.

Orientamos a procurar o banco e verificar as possibilidades de negociação da taxa de juros e condições do financiamento.

Posso dar meu imóvel como entrada em outro?

Em geral, os bancos não agem como imobiliárias, assim não aceitam o seu imóvel como entrada na compra e financiamento do próximo imóvel.

Assim, você deve colocar o seu imóvel atual à venda, podendo vender por meio de financiamento ou à vista com o comprador.

E efetivar em paralelo ou posteriormente o financiamento para aquisição do novo imóvel.

Venda de imóvel ainda financiado está cada vez mais comum

Posso vender o imóvel que ainda estou pagando o financiamento?

Na venda do seu imóvel que está financiado o banco normalmente aceita a transferência do financiamento para o comprador.

Nessa situação de troca de imóvel financiado, você não consegue manter o financiamento original. Muitas pessoas perguntam sobre essa possibilidade.

Se sua renda, idoneidade cadastral, capacidade de pagamento, avaliação de crédito e risco do Banco permitirem, poderá efetivar o novo financiamento, mesmo com o atual ainda em vigência.

Assim poderá efetivar a venda do imóvel atual com calma e em melhores condições.

Inclusive desde 25 de junho de 1998 é permitida a concessão de mais de um financiamento no SFH – Sistema Financeiro da Habitação.

Assim, não há óbice na concessão de novo financiamento no SFH ou SFI – Sistema Financeiro Imobiliário.

A questão crucial será a capacidade de pagamento e análise do risco do crédito pelo Banco.

O uso do FGTS no novo financiamento depende do cumprimento das regras de uso e verificação dos impedimentos.

Sugerimos a leitura dos artigos abaixo relacionados:

SFH e propriedade de imóveis
FGTS e a propriedade de imóveis

Formas de transferência de dívida

► Transferência a terceiros de dívida vinculada a financiamento mediante reenquadramento das condições contratuais.

► Transferência de parte ideal mediante ratificação das condições contratuais de financiamento.

Transferência (venda de imóvel financiado) a terceiros

Esta operação é caracterizada com transferência de financiamento com a mudança de devedor, ou seja, um novo cliente adquire o imóvel, ocorrendo reenquadramento das condições contratuais originais como:

  • Utiliza-se o valor da avaliação original devidamente atualizada.
    • Com exceção se o comprador for utilizar FGTS na aquisição, neste caso será efetivada uma nova avaliação do imóvel para verificação de enquadramento nas condições de uso do FGTS.
  • O saldo devedor será atualizado até a data de transferência do financiamento.
  • Poderá ser financiado até 100% do saldo devedor apurado
  • Serão cobradas tarifas para: Análise de Cadastro, Jurídica e avaliação do imóvel (se for usar FGTS).
  • O primeiro encargo vencerá no mês subsequente à transferência de financiamento, no dia correspondente a assinatura do contrato.
    • O cliente poderá escolher uma data de vencimento diferente, cobrando-se os juros diários proporcionais e seguros habitacionais se houver mês sem vencimento do encargo mensal.

Transferência de Financiamento a Terceiros

Transferência de Parte Ideal (venda de imóvel financiado a participante do contrato)

Esta operação é efetivada entre participantes do contrato original de financiamento, transferindo a propriedade que lhe cabe do imóvel e a respectiva dívida ao(s) outro (s) participante(s).

Transferência de financiamento habitacional - parte ideal

Condições para a Transferência de Financiamento Habitacional 

Em geral não é permitida a transferência de dívida de imóvel em fase de construção, inclusive de imóvel na planta.

Nesta operação será mantida a garantia constante no contrato de financiamento original: alienação fiduciária ou hipoteca.

É dispensada nova avaliação do imóvel/garantia na transferência de dívida, uma vez que na concessão do financiamento original foi efetuada avaliação do imóvel.

A exceção para efetivar nova avaliação do imóvel/garantia pelo Banco será em função da utilização dos recursos da conta vinculada do FGTS para pagamento da poupança ou redução do saldo devedor a ser transferido.

Tal fato é decorrente na necessidade de verificação do enquadramento do valor do imóvel nas condições SFH.

Pode-se utilizar o FGTS para efetivar o pagamento da parte ideal que está sendo adquirida.

A operação de transferir financiamento é semelhante à operação de aquisição e relativamente simples se você mantiver o financiamento no banco atual.

Também é importante destacar que não é obrigatório que o contrato atual seja mantido, pois cada adquirente é analisado individualmente, pode apresentar um risco diferente e, por isso, poderá possuir taxas de juros diferenciadas, inclusive, em função do relacionamento com o Banco.

Dessa forma, deverá ser feito um novo contrato com os novos valores.

Na transferência de financiamento a terceiros as condições do financiamento habitacional original serão alteradas e os valores totalmente recalculados (condições atuais de financiamento).

Como um novo devedor entrará na relação contratual, novas certidões e documentos deverão ser apresentados.

E, além disso, deverá arcar com as despesas de: Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) – e as respectivas custas/emolumentos para registro em Cartório de Imóveis.

Depois disso, aprovado o crédito será elaborado um novo contrato e o adquirente será formalmente reconhecido como novo devedor do financiamento.

Transferência de financiamento – Banco atual ou novo Banco

Mas e se o Banco não aceitar realizar a transferência do contrato com o novo comprador?

Nesse caso, a negativa deverá ser justificada e o novo adquirente deverá buscar um financiamento em outro banco.

Caso se opte pela troca de banco financiador a operação será realizada por meio de cláusula de Interveniente Quitante e com a anuência do Banco anterior.

A dívida é quitada com o banco atual e nova operação de crédito será efetivada no novo Banco.

Nesse caso, a primeira coisa a fazer é ir ao banco atual e pedir informações relacionadas ao contrato.

Por meio do Custo Efetivo Total (CET), será possível comparar as condições do financiamento com outros bancos.

O ideal talvez seja sempre procurar primeiro o banco em já possui relacionamento, as condições de financiamento podem ser melhores.

Veja mais:

Diferença entre Portabilidade e Interveniente Quitante

Vejam algumas considerações sobre a transferência de financiamento e contrato de gaveta:

A transferência da propriedade imóvel somente se efetiva com o registro do documento de compra e venda no Cartório de Registro de Imóveis.

A legislação brasileira no artigo 1.245 do Código Civil, define que: “transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis.”

Isto quer dizer que a transferência da propriedade imóvel, ou seja, a retirada do nome do então proprietário do bem (vendedor) e a inserção do nome do agora atual e novo proprietário (comprador) na documentação do imóvel somente se efetiva com registro do documento de compra e venda no Cartório de Registro de Imóveis.

Para escapar do recálculo do financiamento, devido à transferência de financiamento, muitos dos mutuários, por desconhecimento, ainda optam pelo contrato de gaveta.

Os bancos promovem a transferência da propriedade e cessão do financiamento com o valor do encargo sendo adequado à capacidade de pagamento do  adquirente.

Contrato de Gaveta – O que é e os seus riscos

Ao fazer a negociação com o banco, o novo mutuário terá direito, inclusive, a utilizar o FGTS, se atender as condições de uso, para abater parte da dívida ou pagar o sinal da compra.

Tendo em vista que antes da regularização este tipo de operação não é possível.

E posteriormente utilizar o FGTS no financiamento para amortização/liquidação do saldo devedor, bem como para pagamento de parte de pagamento de prestação, se atendidas as condições de uso.

Veja também:

Quantas vezes posso usar o FGTS no financiamento?

Na hipótese do vendedor (proprietário) morrer, e os herdeiros não aceitarem passar o imóvel para o nome do mutuário, a questão terá de ser resolvida por ação judicial.

O que, além de causar transtornos, pode demorar anos e ter custos altos.

Para fugir do contrato de gaveta, a orientação é que proprietário e adquirente entrem em contato,  juntos, com o banco e formalizem a transferência do financiamento do bem.

Conclusão

Atualmente a venda de um imóvel objeto de financiamento, por meio da transferência não traz grandes complicações, e por isso mesmo tem cada vez mais sendo utilizada, considerando que o financiamento não impede a negociação, pelo contrário, pode facilitar a efetivação da compra.

A diferença é que o valor da venda será utilizado, primeiramente, para quitação do financiamento existente, e o restante será entregue ao vendedor, após o registro do contrato do Cartório de Registro de Imóveis.

A melhor opção é sempre efetivar a transferência do financiamento de forma regulamentada.

A operação poderá ser efetivada pelo Banco atual ou por outro Banco.

O comprador tem o direito de verificar as melhores condições para o financiamento.

Gilberto Ribeiro de Melo

Especialista – Crédito Imobiliário