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Construções ecologicamente corretas: Novos materiais

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Construções ecologicamente corretas tecnologias diminuem consumo de energia e produção de lixo

Novos materiais colaboram para construções ecologicamente corretas
Casa ecológica construída pela COPPE-UFRJ, com materiais que produzem menos gás carbônico em sua fabricação (Foto: Divulgação/Sylvia Rola)

O galpão do Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IVIG-UFRJ) não é uma construção qualquer.

As paredes foram construídas com tijolos e cimento ecologicamente corretos, enquanto o telhado, feito de fibras de coco é sustentado por treliças feitas de bambu.

Sylvia Rola, professora da Faculdade e Urbanismo da UFRJ (FAU-UFRJ) explica que foi feito um estudo sobre o impacto ambiental de uma construção padrão e, a partir dos resultados, foram escolhidos materiais que pudessem substituir os tradicionais, causando menos danos ao meio ambiente.

“Selecionamos materiais mais sustentáveis e fomos construindo. Em nossa sede de 500m², conseguimos reduzir em 60% as emissões de CO2”, destaca Sylvia, que também é  pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE-UFRJ).

Ela destaca que, se essas técnicas fossem utilizadas na construção civil, poderiam diminuir o impacto ambiental causado pela construção civil.

Confira algumas tecnologias que podem promover construções ecologicamente corretas:

Tijolos de solo-cimento

Acontece uma avaliação da quantidade de argila do solo onde a construção será realizada. A partir do resultado, é misturada uma quantidade de cimento, areia e água.

A massa é moldada com ajuda de prensa hidráulica e seca na sombra, dispensando a necessidade de cozer os tijolos.

“Eles ficam secando à sombra por 28 horas. Depois desse tempo, podem ser utilizados”, explica Sylvia.

Estrutura de bambu

casa ecológica
O telhado do galpão da IVIG-UFRJ é sustentado com treliças feitas de bambu (Foto: Divulgação/Sylvia Rola

Leve e resistente, o bambu é muito utilizado em diferentes áreas. “O Deimoselle, um dos últimos aviões construídos por Santos Dumont, usava bambu em sua estrutura”, destaca Sylvia.

Ela conta que o galpão da IVIG-UFRJ tem o telhado sustentado por treliças de bambu.

A pesquisadora  explica que a vantagem de se usar o bambu é que ele fixa o carbono da atmosfera. “Cerca de 50% do peso de uma planta é carbono.

Com o bambu não é diferente”. Ele absorve o gás carbônico, um dos responsáveis pelo efeito estufa. Mas há uma ressalva. Não é todo bambu que pode ser usado para se fazer essa estrutura.

O vegetal deve ser de uma espécie própria, com menos amido em sua composição, para evitar ataque de insetos.

Telha de celulose

Leve e resistente, a telha de celulose pode substituir as feitas de amianto – substância que se acumula no corpo, podendo provocar câncer.

É feita com uma pasta de fibra de coco – recolhido em praias – e restos de revistas e jornais antigos.

O material é processado e colocado para secar em uma forma. O processo termina com um impermeabilizante passado sobre as telhas.

“A fabricação dessas telhas evita que muitos cocos e restos de papeis sejam enviados para aterros sanitários.

A decomposição desses materiais emite metano e gás carbônico, gases responsáveis pelo efeito estufa”, comenta Sylvia.

Cimento ecológico

Desenvolvido na UFRJ, o cimento ecológico leva em sua composição 40% de resíduo da indústria cerâmica.

Sylvia explica que, no transporte de tijolos para as construções, muitos blocos se quebram.

Esses dejetos, que seriam descartados, são moídos e misturados ao cimento. A medida diminui a quantidade de entulho produzido na obra e de cimento necessário.

Uma construção que usaria dez sacos, agora poderá usar seis e o excedente é substituído por esse pó.

Tijolo vegetal

Desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus (AM), o tijolo é feito de restos florestais recolhidos na região.

Esses restos – cascas e sementes, entre outros – que seriam queimados, são triturados e aglutinados com resinas.

O tijolo é ecologicamente correto, uma vez que evita a queima da matéria-prima e da lenha que é utilizada na preparação do tijolo tradicional.

Os blocos têm encaixes e são montados como bloquinhos de brinquedo, o que dispensa o uso de cimento.

Com grande resistência a variações térmicas, umidade e impacto, os tijolos vegetais ainda apresentam a vantagem de serem bons isolantes térmicos.

Fibrocimento de bagaço de cana

Normalmente, fibrocimento usado em telhas e caixas d’água no Brasil é feito de amianto, substância que se acumula no corpo humano podendo causar câncer a longo prazo.

O pesquisador Ronaldo Soares Teixeira, da Escola de Engenharia de São Carlos (SP), desenvolveu uma nova técnica de produção do fibrocimento, utilizando bagaço e cinzas da cana de açúcar.

Para cada tonelada de cana de açúcar processada, cerca de 260 quilos são transformados em bagaço.

Apesar de parte do bagaço ser utilizado como ração animal, a maioria do que é produzido é descartado.

A técnica consiste em processar as cinzas e o bagaço da cana com uma mistura de água e cal hidratada.

A mistura endurece e forma um composto com resistência similar ao produzido pela indústria. Com a vantagem de dispensar o amianto.

Concreto translúcido

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Luminárias feitas com concreto translúcido (Foto: Divulgação/DosaCon)

Criado na Hungria em 2001, o concreto translúcido passou a ser produzido no Brasil no final da década passada, por meio do Laboratório de Tecnologia da Construção, da Universidade do Vale do Taquari (Univates).

Quando os blocos de concreto são formados, eles têm fibras óticas instaladas, permitindo a transmissão de luz por até dez metros.

Durante o dia, ele é capaz de transmitir para dentro do cômodo a luz externa, sem revelar o que acontece do lado de dentro.

A luminosidade transmitida através das fibras óticas pode ser igual à de uma janela, de acordo com a quantidade de fibras inseridas na fabricação da parede.

Contrapiso acústico

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Colocada sob o piso, a peça diminui o ruído (Foto: Divulgação/DosaCon)

Leve e de fácil manuseio, o contrapiso acústico pode ser colocado na base dos pisos de um edifício.

Estudos comprovam a grande redução de ruído nos locais colocados, podendo evitar problemas entre vizinhos de prédio, por exemplo.

O contrapiso é feito de uma mistura da chamada brita leve com restos de calçados, que seriam jogados fora.

“Eles são misturados com um cimento especial e aditivos, que ajudam na cura do bloco”, comenta Thiago Brasciani, gerente administrativo da empresa fabricante do contrapiso (DosaCon).

Casa de garrafa PET

Um dos principais resíduos nos aterros sanitários, as garrafas de politereftalato de etileno, mais conhecidas como garrafas PET, também podem ser utilizadas na construção civil.

Um dos métodos foi desenvolvido pelo Laboratório de Sistemas Construtivos da Universidade Federal de Santa Catarina.

As garrafas são colocadas dentro de estruturas ocas, formadas por treliças de aço. Leves, elas têm ar em seu interior, que contribui para o isolamento térmico.

Fonte: Globo Ciência

Veja mais:

Casa sustentável – Dicas simples

2 COMENTÁRIOS

  1. Qual a medida do contra-piso com brita leve de eva ? e se posso colocar a cerâmica direto em cima do contra-piso de brita leve.

    Aguardo sua resposta.

    • Boa tarde Eugênio,

      Cada Contrapiso Acústico possui 50 x 37cm, são necessárias 5,4 placas por m².

      Pode-se assentar o revestimento final diretamente sobre o produto.

      Att,
      Tiago Bresciani

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